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/ 180 GRAUS / publicada em outubro/2015

A crise no Brasil também gera oportunidade

Com a participação de Paulo Dias, Diretor de Recrutamento da STATO

O Brasil vive um momento econômico conturbado. Inflação de volta e o crescimento do desemprego são ingredientes que colocam o País em compasso de espera. Se por um lado as incertezas barram novos investimentos, por outro, geram oportunidades. Paulo Dias, diretor de recrutamento da Stato, diz que ao mesmo tempo em que as empresas tiraram o pé do acelerador para novas contratações, algumas têm se sobressaído nesse quesito.

“Apesar do mercado retraído, ainda é possível apontar setores que não têm sentido esse efeito negativo. Saúde, Farmacêutico, Energia Renovável e Tecnologia da Informação são alguns deles”, afirma. “A área de saúde como um todo vive um momento de pleno desenvolvimento e busca profissionais qualificados. Muitas foram as aquisições e expansão de redes, o que reforça a necessidade de reestruturação de pessoal”, ressalta.

Dias destaca que o aumento dos atendimentos na rede hospitalar gera necessidade de aprimoramento do serviço. “O receio de perder o emprego e ficar sem o convênio médico empresarial leva muitas pessoas a procurar atendimento na rede conveniada. E esse aumento acaba refletindo em novas oportunidades que deem conta de suprir a alta demanda”, diz.

A área de TI é outro bom exemplo de expansão em momento de crise. Segundo Dias, atender os consumidores, altamente conectados, exige das empresas uma nova forma de comunicação. Por isso, startups de aplicativos móveis estão em alta. “Os apps são bem-vindos tanto para facilitar o dia a dia dos usuários como para ampliar o relacionamento das empresas com seus clientes”, ressalta.

Estratégias internas

E se a crise gera oportunidades em vários setores, o que dizer desse momento dentro das organizações? Na avaliação do executivo, o período de incertezas coloca em destaque algumas áreas estratégicas. Assim, os setores contábil/fiscal, de custos, finanças e controller, comercial, compras e suprimentos e de planejamento de demanda tornam-se ainda mais essenciais.

“Tudo o que pode gerar negócios, reduzir custos e preservar a transparência financeira das empresas ganha relevância. Com isso, os profissionais que atuam nessas áreas encontram boas oportunidades de recolocação e/ou destaque no ambiente corporativo”, diz o diretor. “O momento não é de muitas contratações, mas o mercado tem se movimentado em busca dessas peças-chave”, observa.

No caso do especialista em planejamento de demanda (que basicamente tem a característica de evitar perdas para as companhias, planejando produção, vendas e estoques na medida) as chances são muitas. “As empresas que tem o cargo valorizam ainda mais a função e as que não têm já se movimentam para estruturá-lo”, conta.

Para ele, apesar de um início de 2015 difícil, com as empresas retraindo investimentos, o cenário para 2016 pode ser melhor. “O momento de paralisia passou e observamos as empresas se movimentando para reorganizar a casa e voltar a crescer. Não que exista um otimismo geral, mas é fato que novas oportunidades estão surgindo”, conclui.