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/ ESTADÃO / publicada em agosto/2016

Empresas se prepararam para lidar com ‘desculpas’ de funcionários que querem ver Olimpíada

A Olimpíada começa oficialmente nesta sexta-feira, 5, e, até o dia 21, ninguém vai querer perder a oportunidade de acompanhar as lendas vivas do esporte em ação e todos os outros momentos únicos proporcionados pela interação olímpica. Ninguém mesmo, inclusive quem vai estar trabalhando. Segundo pesquisa da recrutadora Robert Half, 84 dos 100 diretores brasileiros de Recursos Humanos consultados acreditam que os funcionários vão inventar uma desculpa para justificar faltas após competições importantes. 
Mas não é só aqui que as ‘doenças’ e ‘imprevistos’ vão ficar mais frequentes durante os Jogos do Rio. No topo do ranking, na frente do Brasil, segundo a pesquisa, estão Austrália e Nova Zelândia, onde 87% dos gestores desconfiam da postura dos seus colaboradores durante a Olimpíada. Em terceiro lugar, aparece o Chile (80%), depois a Áustria (78%) e a Alemanha (76%). A Robert Half ouviu 1675 diretores de RH em 12 países.

Para Lucas Nogueira, gerente sênior da Robert Half, os Jogos Olímpicos são um momento histórico e não dá para a empresa “tapar o sol com a peneira”, é preciso tratar o assunto com transparência para evitar constrangimentos entre gestores e colaboradores. “É natural que as pessoas fiquem mais eufóricas e animadas em períodos de competições esportivas. O ideal é que as empresas tracem estratégias para canalizar essa energia a seu favor e gerar mais engajamento”, afirmou. 
O levantamento da Robert Half mostra ainda que 58% dos gestores entrevistados acreditam que, quando estimulados a acompanhar os jogos em grupo, nas dependências da companhia, os colaboradores tendem a se sentir profissionalmente mais motivados. Outros benefícios apontados foram o aumento do engajamento da equipe (43%) e da produtividade (40%).

Algumas das opções para aproveitar o espírito olímpico a favor da empresa são permitir horários flexíveis, criar bancos de horas, promover competições internas ou disponibilizar televisões nas áreas comuns para que os funcionários assistam as competições.

A diretora executiva da consultoria Stato, Renata Fillipi alerta, no entanto, que é preciso ter cuidado com a TV durante a Olimpíada, pois o Brasil vai estar competindo todos os dias em vários horários. “O bom-senso é o que tem vigorar nesses 16 dias. Ter uma televisão pode ser uma prática interessante, mas o funcionário não pode ficar ligado o tempo todo. Não dá para cobrar hora extra para ver a Olimpíada”, considerou. 

Rodrigo Maranini, diretor executivo da Talenses Rio, empresa de recrutamento de executivos, sugere usar os valores olímpicos, como superação, garra e vontade vencer, para cobrar resultados da equipe. “Dependendo do modelo de RH, é possível criar comunicados ou realizar atividades para enaltecer os valores dos atletas e motivar os colaboradores a serem ‘campeões corporativos’”. Ele alerta, no entanto, que é preciso notar a cultura de cada empresa e o modelo de RH para elaborar essas estratégias.  Maranini ainda disse que esse período olímpico é uma ótima oportunidade para empresa reforçar sua estrutura de compliance. “Acho que vale a pena a empresa mandar um comunicado falando sobre os deveres e responsabilidades de cada um e as possíveis punições”, pontuou.