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/ GME HUB / publicada em fevereiro/2017

Onde se escondem os empregos em 2017

Com a participação de Lucia Costa

Ok, já estamos todos bem fartos da crise, gostaríamos que ela tivesse desaparecido junto com 2016 e que a desejada, prevista e prometida retomada da economia brasileira começasse já no primeiro dia desse novo ano. Mas sabemos que não existe mágica e que o processo é lento, exige cuidados e muita atenção aos aprendizados que as crises oferecem. Num país com uma taxa de desemprego beirando os 12%, não é preciso bola de cristal para saber que vai demorar para voltar a um período de emprego farto.

“No final de 2013 chovia trabalho, as empresas faziam um esforço grande para encontrar as pessoas. Agora nós estamos num cenário oposto, são as pessoas que fazem um esforço grande para encontrar as oportunidades”, afirma Maíra Habimorad, vice-presidente do Grupo DMRH e CEO da Cia de Talentos, especializada em recrutamento e seleção.

Mas os especialistas em mercado de trabalho alertam: as oportunidades existem e estão mais concentradas em áreas da economia: tecnologia e setores farmacêutico, financeiro e agrícola. Uma boa notícia nessa enxurrada de notícias ruins? Com certeza.

“Apontar um setor aquecido em 2017 não quer dizer que esse setor que vai ‘bombar’. Provavelmente, nós ainda vamos ter crise. Não podemos dizer que esse ano vai ser maravilhoso, mas há sim uma projeção de crescimento, mesmo que tímido”, pondera Lucia Costa, da diretora da Stato, consultoria de recursos humanos.

O bom desempenho no setor farmacêutico se deve, primeiro, por se tratar de uma área de primeira necessidade. Além disso, é grande a expectativa de que o governo, superada a fase de ajustes na economia, volte a realizar grandes contratos com fornecedores na área de saúde.

No setor financeiro, os bancos devem continuar realizando balanços positivos, enquanto o chamado “spread”, que é a diferença entre o custo do dinheiro captado pelas instituições e o custo do que elas emprestam, se mantiver em patamares elevados. É um setor que tem “bala” para novos investimentos, como na expansão da rede de atendimento.

O agronegócio, embora sujeito a oscilações diversas, também é promissor, já que o Brasil ainda é um grande exportador de commodities e o nosso produto agrícola se mantém bastante competitivo devido à diferença cambial. Existe ainda a possibilidade de o governo rever as regras sobre investimento estrangeiro em terras no país, o que, em tese, deve atrair grandes produtores internacionais, como os chineses.

Por fim, o setor tecnológico, com muitos exemplos de dinamismo e inovação, é cada vez mais uma ferramenta indispensável em qualquer empresa, inclusive as iniciantes, onde se queira buscar eficiência e produtividade. “Tem muita gente, até por causa do cenário econômico, tomando a decisão de empreender, e esse público contrata muito programador, desenvolvedor, gente especializada em relacionamento com o cliente”, afirma Maíra Habimorad, da Cia de Talentos.

O e-commerce acabou sendo um oásis no cenário econômico nacional, mas não deixou de ser afetado pela crise. O setor crescia até 2013 em um ritmo médio anual de 30%, reduzindo para 25% em 2014, e para 15% em 2015, mas ainda muito acima do apresentado pelo varejo restrito, cujo índice é medido pelo IBGE e em 2016 caiu cerca de 6%, segundo a Ebit, empresa que certifica e mede a reputação de lojas virtuais a partir de pesquisas com consumidores.

Com uma taxa de crescimento positiva, ainda que menor do que em anos anteriores, o comércio eletrônico vem se consolidando no país como plataforma de atuação no varejo. “Em tempos de crise, as pessoas mudam seus hábitos de consumo buscando melhor custo-benefício e o e-commerce é uma alternativa para economizar”, diz Pedro Guasti, CEO da Ebit.

Em 2016, o e-commerce brasileiro teve mais de 45 milhões de consumidores ativos, 20% acima do ano anterior. É também um meio mais barato de montar um negócio para muita quem precisou se reinventar, já que seu custo operacional é menor que o do comércio tradicional, lastreado em lojas físicas.

Isso ajuda a explicar o fato de que 90% por cento das lojas virtuais são de micro e pequeno porte. Para muitos trabalhadores que ficaram desempregados, se tornar um empreendedor e vender produtos pela internet tem sido uma solução. Segundo a Ebit, as lojas virtuais que oferecem artigos para casa e decoração, e as que trabalham com peças e acessórios para automóveis foram as que tiveram melhor faturamento no ano passado.

“Se a gente somar isso com o fato de que há muita oportunidade para crescer, porque muita coisa ainda não é oferecida via comércio eletrônico, eles estão realmente à margem da crise ou na contramão mesmo”, garante Lúcia Costa, da Stato. E isso gera uma série de oportunidades de emprego, abertas por sites e aplicativos que necessitam de profissionais de tecnologia e de comércio eletrônico. Gerentes de novos negócios e gerentes de marketing digital, por exemplo, serão cada vez mais demandados. (Veja mais profissões em alta em 2017 no box).

O site de vendas de ponta de estoque Privalia é um exemplo nítido. Começou na Espanha com apenas cinco funcionários, em 2006, e hoje opera em dez países. A ideia surgiu ao observar uma necessidade da indústria da moda de desovar estoques a cada troca de coleção.

Com preços menores e atraentes, abriu caminho a um público que não tinha acesso aos produtos das novas coleções. No Brasil desde 2009, a empresa cresce à velocidade de dois dígitos por ano, garante a diretora de marketing Debora Capobianco. “Crise? Aqui não! A gente foge dela criando novas oportunidades de mercado”, conta.

A empresa decidiu oferecer dados de inteligência obtidos pela plataforma a alguns parceiros. Ao mostrar a eles o que vendia mais, quais os tamanhos, cores e estilos mais solicitados, os fabricantes começaram a produzir coleções exclusivas para a Privalia e, assim, deram juntos um ‘olé’ na crise - que afastou o consumidor das classes A B das viagens internacionais, mas jogou-os no colo do e-commerce de produtos de grife.

Em 2016, a empresa aumentou em dez por cento o número de funcionários no Brasil e promete mais contratações em 2017, principalmente nas áreas comercial, de operações e de logística. 

A crise e mais especificamente o envolvimento de grandes empresas brasileiras em negócios ilícitos, como os revelados pela operação Lava Jato, também vêm provocando uma mudança na cultura corporativa e abrindo oportunidades de empregos para os profissionais da área de ‘compliance’, ou seja, para aqueles profissionais que atuam para garantir que as práticas e atividades da empresa para a qual trabalham estejam de acordo com a lei.

Por isso, gerentes de risco, gerentes de compliance e profissionais especializados em mapeamento de fluxos e de processos têm sido muito requisitados pelo mercado. As empresas precisam ter regras e mecanismos de acompanhamento. Isso não pode ser apenas um desejo das companhias e sim uma prática”, afirma Lúcia Costa.

Segundo Maíra Habimorad, vice-presidente do Grupo DMRH e CEO da Cia de Talentos, para tirar proveito dessas oportunidades do mercado, é fundamental manter currículos e redes sociais atualizados, acionar os contatos e se apresentar como um profissional flexível, adaptável, que desempenha múltiplas tarefas e disposto a mudar de rumo. “Esse é o perfil de gente que as empresas vão segurar a qualquer custo”, diz Maíra. Como não há empregos sobrando, é importante manter o radar calibrado.

AS 10 PROFISSÕES DA HORA

A consultoria de recrutamento Stato elaborou uma relação de dez profissões em alta em 2017. Confira:

1 – Diretor de Novos Negócios:

Faixa de remuneração: Salários fixos podem variar de R$ 25.000,00 a R$ 35.000,00. A remuneração varia em função do segmento de atuação, e parte é atrelada a resultados.

Motivo da demanda: As empresas precisam de executivos estratégicos na linha de frente, que desenvolvam negócios, captando novos contratos, mercados e parcerias e, consequentemente, contribuindo para o crescimento e aumento da receita no médio e longo prazo. 

2 – Gerente de Marketing / Produto:

Faixa de remuneração: Pode variar entre R$ 15.000,00 e R$ 25.000,00. Bônus anual de 4 e 6 salários.

Motivo da demanda: Empresas de bens de consumo de massa têm repensado seu portfólio de produtos para atender clientes que na crise podem ter alterado hábitos e forma de consumir. 

3 – Gerente de Compliance e Risco:

Faixa de remuneração: de R$ 18.000,00 a R$ 25.000,00.

Motivo da demanda: Diante de todo cenário político e econômico, as empresas devem demandar fortemente profissionais na gestão e controle de riscos em 2017, para manter-se em conformidade com regulamentação e assegurar maior credibilidade no mercado sob os aspectos financeiro, ambiental, societário e legal.

4 – Gerente de Mídia Digital:

Faixa de remuneração: a partir de R$ 12.000,00 podendo chegar a R$ 17.000,00. 

Motivo da demanda: O canal digital para a divulgação e venda de produtos no mercado já é e continuará sendo ainda mais importante em 2017, uma das alternativas mais prósperas para alavancar resultados, a marca das empresas e as vendas propriamente ditas. Isso se dá por conta da significativa evolução dos hábitos de consumo com o avanço e ao fácil acesso da tecnologia, cada vez mais presente na vida das pessoas e nos negócios. O custo das ações de marketing digitais, mais focadas em nichos, é mais competitivo do que o das mídias tradicionais.

5 – Diretor de CSC (Centro de Serviços Compartilhados):

Faixa de remuneração: a partir de R$ 28.000,00 podendo chegar a R$ 40.000,00.

Motivo da demanda: CSCs (Centros de Serviços Compartilhados) são estruturas de centralização processual que são implementados nas empresas visando obter economia em escala nas áreas Administrativas, de Contabilidade, Compras, Financeiras e TI.  Ajudam a desonerar unidades de negócio das responsabilidades de operações de suporte. 

6 – Gerente da Qualidade e Excelência Operacional:

Faixa de remuneração: entre R$ 14.000,00 e 20.000,00.

Motivo da demanda: A indústria fechou muitas vagas em 2016. Várias diretorias foram consolidadas numa só, o que fez desaparecer em muitas delas as altas posições de especialistas em Qualidade e Produtividade. Os problemas de qualidade em alguns setores tomaram uma dimensão extra, incluindo produtos, gestão de fornecedores e de eficiência. Este ponto tende a ser equacionado, quando o mercado deve voltar a demandar profissionais com senioridade para resolver essas questões nos segmentos mais críticos. 

7 – Diretor de Supply Chain:

(Responsável pela gestão da cadeia de suprimentos de uma empresa)

Faixa de remuneração: salários entre R$ 25.000,00 e R$ 35.000,00, com parte variável atrelada a performance e geração de resultados.

Motivo da demanda: Trata-se de profissional essencial para garantir a eficiência de todo o processo de distribuição e, consequentemente, gerar economia e otimização de recursos para a organização.

8 – CFO (Chief Financial Officer):

(Gestor financeiro) 

Faixa de remuneração: de R$ 35.000,00 a R$ 55.000,00

Motivo da demanda: Em 2017 existirá uma forte demanda por um CFO estratégico que seja parceiro do negócio, com um papel de direcionador de investimentos e atuante nos processos de análise e implementação de aquisições e fusões. 

9 – Gerente de Planejamento Tributário:

Faixa de remuneração: de R$ 16.000 a 22.000,00.

Motivo da demanda: O planejamento tributário se apresenta como uma forma de redução de gastos financeiros para a organização. Também atua na construção do plano tributário visando identificar ações futuras antecipadamente, prever riscos e corrigi-los a tempo. 

10 – Diretor de RH:

Faixa de remuneração: de R$ 28.000,00 a R$ 35.000,00.

Motivo da demanda: Com as reestruturações ocorridas nos últimos dois anos, a retenção dos talentos e os planos de sucessão tornaram-se fundamentais, bem como o redesenho de áreas e funções/cargos. Algumas empresas que reduziram seus quadros, inclusive na área de RH, já mostram intenção de buscar executivos para a função no nível de diretoria, para tratar dessa temática de forma mais estratégica.