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/ VALOR ECONÔMICO / publicada em fevereiro/2016

Organizações estimulam formação comportamental

Renata Filippi, Diretora de Recrutamento da STATO, fala sobre o tema.

O engenheiro Badi Maani Shaikhzadeh nunca se cansou dos desafios de carreira: após se formar na universidade, deixou os canteiros de obras de lado e começou a trabalhar no mercado financeiro. Desde 2004, ele passou pelas áreas de vendas, projetos, operações e produtos em diferentes braços de negócios do Itaú Unibanco, onde entrou como trainee e hoje ocupa o cargo de superintendente.

Nesses últimos 12 anos, Shaikhzadeh veio conciliando o trabalho com as salas de aula: fez pós-graduação em administração, um MBA internacional e diversos cursos de liderança e desenvolvimento de competências comportamentais. Hoje ele faz parte de um grupo seleto de superintendentes de alta performance, que têm parte da remuneração atrelada ao desempenho do banco e participam de fóruns executivos.

A história de Shaikhzadeh coincide com a de muitos executivos brasileiros com boa bagagem técnica e interesse por autodesenvolvimento, esses profissionais vêm encontrando apoio em suas empresas para investir em qualificação. No caso do superintendente, os cursos foram subsidiados parcial ou totalmente pelo banco. "Temos parcerias com várias escolas em programas tão variados quanto gestão de riscos, eficiência na resolução de problemas, inovação, relacionamento e gestão de pessoas", afirma o diretor de recursos humanos do Itaú, Marcelo Orticcelli.

Desenvolver competências como flexibilidade e tomada de decisão em ambientes complexos e sob pressão em seus profissionais está na agenda de cada vez mais companhias, afirma Renata Filippi, diretora de recrutamento da consultoria Stato. Segundo ela, as empresas tendem a se tornar mais enxutas, com menos cargos e mais profissionais generalistas. Isso requer visão sistêmica e capacidade de aprender rapidamente sobre diferentes áreas. "É claro que ainda existe preocupação com a formação técnica, e é por isso que muitas companhias ainda pedem profissionais vindos de boas escolas, que demonstrem essa agilidade de aprendizado e criatividade tão desejadas", afirma Renata.

Magui Castro, managing partner da empresa de recrutamento Caldwell Partners, afirma que a capacidade de liderar e motivar equipes também é valorizada no mercado. Um novo elemento, porém, vem se agregando a essa habilidade: a reputação intocada. "Hoje se fala muito no líder compliance, que tenha credibilidade e seja exemplo de honestidade para a equipe", afirma.

Disputados, mas raros no mercado, esses executivos nem sempre têm essas competências prontas. É por esse motivo que os departamentos de desenvolvimento das empresas vêm investindo na formação comportamental de seus executivos. Esse é o caso de Paulo Mendes, CFO da empresa de tecnologia SAP. Em 2015, ele fez um curso de cinco semanas no Massachussetts Institute of Technology (MIT) sobre gestão avançada, copatrocinado pela companhia.

"O programa me ajudou a lidar com situações novas e inesperadas, a criar relacionamentos e a buscar sempre pensar de forma criativa. É isso o que a empresa, o mercado e o momento econômico demandam da minha função", afirma Mendes. De acordo com Marcelo Carvalho, diretor de RH da SAP, a empresa subsidia 50% dos cursos de pós-graduação e MBA, além de oferecer programas de educação continuada com conteúdo técnico e comportamental uma verdadeira "prateleira" de treinamentos.

Tanto na SAP quanto no Itaú existe a preocupação em desenvolver o pensamento inovador em seus líderes. No caso de Shaikhzadeh, por exemplo, essa foi a tônica dos dois últimos programas de educação executiva realizados no ano passado. "O serviço bancário está em constante transformação e os cursos têm um componente forte de desconstrução do olhar e redesenho de processos", diz. A ideia, segundo ele, é buscar a simplicidade na tomada de decisões. "É um modelo provocativo, faz pensar e promove troca entre as pessoas. Ajuda a pensar no futuro e é um direcionamento de onde a empresa quer chegar", diz.